Rosa para meninas, azul para meninos – O cérebro humano

O cérebro humano é notoriamente deficitário em separar o inato do ambiental. Se nos habituarmos a ver as coisas de certa maneira, esperaremos que essa seja a maneira natural, necessária e inalterável.

Por exemplo, se você nunca viu um homem de vestido, essa ideia parecerá absurda, e você nunca deveria viajar para a Escócia.

Um exemplo perfeito dessa tendência são as associações de cores – as regras não escritas que tornam o azul masculino e o rosa feminino. Embora aceitemos essas associações (mesmo que nos rebelemos contra elas), elas são uma invenção relativamente recente. Nos anos 1920, quando os pais ocidentais começaram a referir-se a seus filhos por cor, o rosa era preferido por meninos.

O cérebro humano

Ele era visto como uma versão “aguada” do vermelho, e o vermelho era considerado masculino e impetuoso. Azul-claro era usado por meninas e considerado uma cor muito mais delicada, possivelmente por causa da associação com a Virgem Maria. Mais ou menos na década de 1940, essas preferências foram substituídas por padrões atuais e continuam assim desde então.

Ideias inatas, que nascem com o indivíduo, muitas vezes são as que mais atrapalham o desenvolvimento de um pensamento ou a aceitação de novas teorias. Sempre haverá aqueles que serão contra alguma coisa, muitas vezes pelo simples motivo de ser contra. Não que seja proposital, algumas pessoas inconscientemente tem uma maior dificuldade em aceitar novas ideias.

Se a ideia for do tipo que quebra paradigmas. Que causa uma ruptura. Que obriga ou ameaça uma mudança de lugar, de status quo, então é pior ainda. Profissionalmente, vemos isso todos os dias. Qualquer sugestão dentro das empresas que obrigue os funcionários a saírem das suas zonas de conforto, que sugira uma profunda mudança, é vista com maus olhos. Por quê? Porque nascemos (e somos criados) com um sentimento de que toda mudança, radical ou não, não é um coisa boa. Mudar nunca é bom.

Mas o mundo é feito de mudanças. Se algumas rupturas não tivessem acontecido ainda estaríamos andando a cavalo e usando rosa. É uma questão de sobrevivência e evolução. Evolução. Assim como o crowdsourcing.

Quando Jeff Howe criou o crowdsourcing em 2006 e iniciou uma revolução silenciosa que se propagaria pelo mundo, muita gente olhou torto. As mesmas pessoas que talvez olhassem torto se eu ou você saísse de rosa. Ou de azul, dependendo da sua opção. Perfeitamente normal. O que não é normal são as críticas de pessoas que se sentem ameaçadas porque o crowdsourcing pode estar mudando as bases da sua profissão (do mercado e da economia em geral). Primeiro, como bem disse o Millor Machado aqui, quem critica o crowdsourcing dessa forma não entende as dinâmicas do mercado onde atua e deve culpar Darwin, não o modelo.

Segundo que a mudança já ocorreu. O que estamos vendo agora é um “assentamento” do mercado. Quando a poeira baixar o crowdsourcing já estará dentro do seu mercado. Queira você ou não.

Se mudanças não lhe agradam, lamento, mas você será engolido pelo mercado. Rosa para meninos, azul para meninas.